Publish 18 Novembro 2015

Qual a durabilidade de uma cópia fine art? Em quanto tempo "desaparecem" as cores de uma cópia convencional ou de uma impressão em offset? Esta obra/objeto é um teste de observação destes três processos e papéis comumente utilizados na impressão de fotografias. Cidade Cenográfica foi concebida a partir de noções identificadas pelo fotógrafo pensando a ação do tempo sobre a materialidade como sentido de atribuição de valores de uma obra em situação de leilão. A imagem utilizada mostra a Vista do Centro de Curitiba a partir da Praça das Nações, no bairro Alto da XV – Leste. Em primeiro plano pode-se ler "cidade cenográfica" com o fundo vermelho, é um grafite, uma pintura- comentário cravada no local pelo artista Juan Parada. Esta imagem impressa em três formas constituindo a obra emoldurada; integra o ensaio Olhar Comum - Os Limites da Cidade de Curitiba. A publicação de 2006 teve seu início como um desejo de conhecer melhor a cidade, de construir uma imagem mental de sua arquitetura e desenvolver um sentido de orientação dentro dela. 

Gilson Camargo

Cidade Cenográfica, Centro de Curitiba, vista Leste a partir da Praça das Nações - 2015
Fotografia, 3 cópias 30 x 10,5 cm. (cópia fine art em papel algodão, cópia convencional em papel fotográfico e cópia offset em papel Supremo).

 

 

 

 

imagem de capa da publicação

 

Criador do blog Olhar Comum, Gilson Camargo é um fotógrafo com a mirada sempre atenta aos sentidos do registro, produção de memória e na organização de acervos decorrentes desta prática. Outra obra do fotógrafo - A Ciclofaixa de Lazer e a Bicicletada - registro de um protesto dos cicloativistas em Curitiba, foi apresentada no Quarto LeilãoShow da Farol. A imagem diz tudo mas vale lembrar a notícia!

 

Conheça aqui um pouco mais à respeito do projeto Limites da Cidade e navegue através das inúmeras coberturas no Olhar Comum e impecável de Gilson Camargo.

Publish 05 Outubro 2015

 

Antônio Arney com a obra de sua escolha para o LeilãoShow - foto de Gilson Camargo

 

 

Colagem com Rejeitos, 2014 - foto de Gilson Camargo
 

Breve parágrafo a partir da série Colagem com Rejeitos, de Antônio Arney

Por Margit Leisner

 

Enquanto existir nas leis e nos costumes uma condenação social que cria infernos artificiais em plena civilização, juntando ao destino - que é divino por natureza - um fatalismo que provém dos homens; enquanto não forem resolvidos os três problemas do século : - a degradação do homem pela pobreza, o aviltamento da mulher pela fome, a atrofia das crianças pelas trevas; enquanto continuar em certas classes a asfixia social, ou por outras palavras e sob um ponto de vista mais claro: - enquanto houver no mundo ignorância e miséria, os livros desta natureza não são de todo inúteis.

 

Hauteville-Haus - 1 de Janeiro de 1862 

 

Antônio Arney, 89, é o pintor por trás das formas acentuadas que vemos na série de colagens produzidas com rejeitos. Feitas a partir de materiais como madeira, metais e papel, essas obras despertam de imediato uma estranha familiaridade. A memória que antecipa cômodos, maçanetas, portais - vai aos poucos se re-arranjando em distâncias e relevos, em detalhes, fragmentos, em micro e macro intenções pictóricas. O que antes parecia familiar está agora em outro lugar. Está em uma outra forma de olhar.

É próprio da poesia que a tenra surpresa esteja - imponderável! - cultivada no pressuposto: a obra aqui em questão quer dar-se a ver e ponto. E ela é generosa em vezes que diz e de tão variadas formas; sem perder nem por um instante a integridade que porta, como um estandarte em sua fachada. Como no livro primeiro de Fantina, em Miséraveis de Victor Hugo, o artista nos faz lembrar, a cada vez, que a página que antecede o livro é um mantra.

 

Sobre o artista:

Antonio Arney dos Santos nasceu em Piraquara, PR em 1926. Pintor. Cedo se interessa por artes, tendo como exemplo seu próprio pai, pintor, fotógrafo e marceneiro. Começa a pintar em 1956 como autodidata, na cidade de Curitiba. Mantém contato com a Galeria Cocaco, ponto de encontro dos artistas modernos do Paraná nos anos 60. Em 1979, orienta o ateliê de madeira, estudo e pesquisa de materiais no Centro de Criatividade da Fundação Cultural de Curitiba. A partir de 1989, orienta o Curso de Colagem na Arte, no ateliê de ensino do Museu Alfredo Andersen. Vive e trabalha em Curitiba. 

 

Publish 27 Setembro 2015
Na sexta-feira, dia 02 de outubro, acontece o LeilãoShow no espaço Guairacá Cultural. O evento - em sua quinta edição -  trás à publico a produção artística com influências e relações que constituem este campo. É  também uma afirmação do lugar social da arte, que é viva e pulsante, que respira e faz agir, faz pensar. Transforma, desmonta e elabora com a força de todos os seus agentes. E com isso, no esforço de exibição, produz imagens. Esta edição - notadamente - conta com a participação de artistas vinculados à três galerias da cidade que estão próximas ao circuito de ações da Farol. Esta é, portanto, uma ocasião de identificar e de afirmar vínculos entre os artistas e as suas galerias mães, de trabalho. Como forma de facilitar e promover contatos entre o público interessado e as respectivas galerias, este vínculo será pontuado nas ações públicas deste LeilãoShow e no momento da apresentação das obras.
 
Lembrando: 
Este é um evento único com características específicas. Acontece na transição entre o Circuito de Galerias e a abertura da Bienal de Curitiba. Para nós - conceitualmente, o ponto exato onde o LeilãoShow se situa na trajetória:
 
 - uma forma de exibição…
 
Keila: Você repete o termo exposição, eu acho interessante.

Entrevistador: Porque tem uma exposição que é mais importante que o próprio leilão… (todos falam ao mesmo tempo)

Keila: Veja, é uma exposição tão inusitada que os quadros, as obras, os trabalhos, não estão na parede. Eles são segurados, estão firmes no palco pelo tempo que estão sendo observado por todos, na hora em que ele é descrito, na hora em que ele é vendido, com os lances que se sucedem. Começa lá com trinta e a coisa vai esquentando, então é muito mais tempo do que nós pousaríamos (o olhar), pararíamos em uma exposição tradicional.

Entrevistador: Por exemplo, entra ali uma peça em um leilão tradicional, 1, 2, 3 arrematou, acabou, né?

Keila: Mas em uma exposição também. Quanto tempo um espectador fica diante de uma obra. No LeilãoShow nós ficamos porque ela está viva….

- que se quer como pergunta:

Entrevistador: Como é que a gente define o valor de uma obra?

Margit:  Essa é uma boa pergunta. Nós optamos por realizar o LeilãoShow justamente como uma forma de resposta a essa pergunta. Trazendo o público, reunindo os artistas e a produção local de arte contemporânea e propondo um lance inicial de trinta reais (R$ 30).

Entrevistador: Trinta reais…

Margit: Que é quase constrangedor, né? (risos)… então, a gente joga essa pergunta para o público.

(trechos - Transcrição da matéria produzida para o programa Toda Tarde, da TV Transamérica)

Participam desta edição os seguintes artistas:

Andréia Las - Andréia Cristina Las nasceu em Curitiba, PR. Formou-se em Educação Artística pela UFPR. Desde 1986 é orientadora de gravura nos ateliês do Museu da Gravura Cidade de Curitiba. Realizou cursos de gravura em metal com S.W. Hayter – Atelier 17 – Paris – França, curso de serigrafia com Dionisio Del Santo, Casa da Gravura – Curitiba, curso de papel artesanal com Otávio Roth, Casa Da Gravura -Curitiba – PR. Expôs individualmente em galerias e centros culturais de diversos estados brasileiros e também fora do Brasil. Possui obras nos acervos do MAC – Curitiba; MAC – Cascavel – PR; Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis – SC; Palácio Das Artes, Belo Horizonte – MG; Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro – RJ; Museu da Gravura Cidade de Curitiba – PR; Museu Olho Latino, Atibaia – SP e na Coleção Mônica e George Kornis – Rio de Janeiro – RJ. Artista vinculada à Galeria Zilda Fraletti 

Alex Cabral, 52 anos que se tornarão 53 do dia 8 próximo, era grafiteiro quando isso dava cadeia (anos 80) e agora é artista plástico (não dá cadeia) e professor de yoga (também não). Atua em várias expressões, mas suas prediletas são os recortes em papel (derivados do estêncil), pintura e a arte postal (via correio mesmo, snail mail). Já expôs num monte de lugar, mas não vai citar porque acha currículo um saco, o trabalho que fale por si.

Alexandre Linhares é estilista formado em design de produto. Considera suas criações esculturas vestíveis. Alexandre é criador ao lado de Thifany Faria, da grife Heroína que joga luz - do conceito ao fabrico de cada peça - sobre o processo como um objeto de arte.
 
Antônio Arney - Antonio Arney dos Santos nasceu em Piraquara, PR em 1926. Pintor. Cedo se interessa por artes, tendo como exemplo seu próprio pai, pintor, fotógrafo e marceneiro. Começa a pintar em 1956 como autodidata, na cidade de Curitiba. Mantém contato com a Galeria Cocaco, ponto de encontro dos artistas modernos do Paraná nos anos 60. Em 1979, orienta o ateliê de madeira, estudo e pesquisa de materiais no Centro de Criatividade da Fundação Cultural de Curitiba. A partir de 1989, orienta o Curso de Colagem na Arte, no ateliê de ensino do Museu Alfredo Andersen. Vive e trabalha em Curitiba.
 

Cleverson Oliveira nasceu em Curitiba em 1972. É Bacharel em Escultura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (1994) e estudou História da Arte na New York University (1996). Sua produção concentra-se em desenho, vídeo, áudio, fotografia e instalação. Vive e trabalha em Piraquara, próximo a Curitiba, Brasil. 

Elaine Pauvolid nasceu em 1970. Poeta e Artista Plástica. Colaborou como resenhista do Caderno Literário de O Globo - RJ entre 1999 e 2009. Publicou 3 livros de poesia e,  a partir de 2013 participou de exposições coletivas, tendo realizado sua primeira individual em 2015, na Galeria Caixa Preta, RJ. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. 

Fábio Noronha é artista plástico e professor do ensino superior na UNESPAR/EMBAP, Curitiba-PR, desde 1996. Iniciou produção em desenho, fotografia e pintura, no início dos anos 1990, quando fez graduação; no final desta década incorporou em seu trabalho o vídeo e experimentações em áudio.

Foca Cruz - Luiz Alberto Cruz, Foca, parnanguara, primeira lembrança na vida foi ver Neil Armstrong numa tv preto e branco andando feito um bobo na lua. Nessa época já existiam dinossauros e os carros de corrida na oficina do lado. O primeiro livro lido foi "Viagem à Lua" de Julio Verne. Ganhou do irmão pintor uma "Rotring" 0.3 aos 10 anos, daí em diante fodeu, pois logo ficou claro de fato que desenhar é como tocar violino em público: ou é muito bom ou da ânsia de vômito. Adam West. 

Gilson Camargo é fotógrafo. Sua prática é voltada para o registro e produção de memória. É criador do blog Olhar Comum. Vive e Trabalha em Curitiba.

Hugo Mendes possui graduação em Artes Visuais (2006) e especialização em Ensino das Artes Visuais (2011) pela Universidade Tuiuti do Paraná. Atualmente é professor dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Fotografia pela mesma instituição. Trabalhando com esculturas, desenhos e gravuras, o artista opera no interstício da manufatura artesanal e industrial. O artista representado pela Ybakatu Espaço de Arte em Curitiba.

Janete Anderman, 34, vive e trabalha em Curitiba. Formada em Design de Produto (Universidade Tuiuti do Paraná 2001), pós graduação em Artes Visuais na Universidade Positivo, 2014. Desenvolve um trabalho em diversas mídias ( f o t o g r a f i a + v í d e o + i n s t a l a ç ã o + p a i s a g i s m o ) que relacionam arte, natureza e cidade. Sua experimentação a partir de materiais encontrados na natureza veiculando em objetos que visam observar as relações inter-humanas junto a paisagem.

Jarbas Lopes é nascido em 1964, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brasil. Obteve Bacharelado em Escultura, Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. Possui obras em importantes acervos e coleções internacionais. Vive e trabalha em Maricá, Rio de Janeiro, Brasil.

Jessica Luz desenvolve pesquisas em gravura, animação, desenho e livro de artista. Articulando as diversas linguagens através de eixos poéticos, tais como Gato Cativo, que trata da relação de domesticidade e afeto com o animal, e Dois em Casa que abrange um conjunto de trabalhos discutindo o ambiente da casa, a moradia urbana, propriedade/posse, acúmulos e as relações estabelecidas no lar.
Vive e trabalha em Curitiba, PR.

Lígia Borba é escultora e educadora de arte. Desde a década de 70, desenvolve extensa pesquisa com variadas técnicas e linguagens, aplicando os resultados em seus trabalhos e no ensino da escultura. É artista representada pela Ybakatu Espaço de Arte.

Marga Puntel vive e trabalha na Tríplice Fronteira Brasil-Paraguay- Argentina.É formada em Serviço Social pela PUC/PR. Suas obras estão diretamente relacionadas a ações fotográficas e de video, das relações de alteridade entre o homem e seu entorno. Nos últimos 5 anos tem se dedicado ao desenvolvimento de uma enciclopédia da vegetação e paisagem da fronteira. Registrando as em fotografias pequenos nichos escultóricos formados com esta vegetação, configurados na série Paisagens Transportáveis. E ao registro fotográfico da transações realizadas entre Brasil e Argentina através do Rio que separa os dois países. O rio Sto Antônio. Passagem de pessoas e comercio através de uma pequena embarcação de madeira. 

Pedro Goria nasceu em São Caetano do Sul SP - 1960. Iniciou sua pesquisa como artista voltada para a pintura, desenho e gravura na Escola Alfredo Andersen em 1976. Teve como orientadores Luis Carlos Andrade e Lima e Alberto Massuda. Desde 1991 é professor na Escola de Música e Belas Artes do Paraná.

Rogerio Ghomes é artista visual e Pesquisador nas áreas das Artes Visuais e Design. Doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC SP e Mestre em Design pela UNESP. Docente no Departamento de Design Gráfico da UEL. Contemplado em 2013 com o Premio Conexões Artes Visuais FUNARTE/Petrobras com o projeto Campo Expandido: a convergência das imagens. Rogerio é artista vinculado à Ybakatu Espaço de Arte, em Curitiba. Suas obras integram as coleções; Pirelli MASP, MAM SP, MAC USP_nova sede, MAC PR, Fundação Cultural de Curitiba, Joaquim Paiva MAM RJ e McLaren.

Thalita Sejanes ( São Paulo, 1986) Licenciada em Artes Visuais pela Faculdade de Artes do Paraná em 2009. Desenvolve sua pesquisa em Artes Visuais desde 2008, onde o desenho é recorrente ponto de tensão. Entre as principais exposições destaca-se Véspera (Curitiba, 2012) resultado do Edital Bolsa Produção para Artes Visuais V, concedido pela Fundação Cultural de Curitiba. Vive e trabalha em Curitiba.

Willian Santos, 1985 - Atualmente dedica-se a uma pesquisa sobre o invisível. Focado nas relações de trocas com o público, o artista mergulha e nos leva junto às suas experiências inefáveis. Seu trabalho dialoga com diferentes linguagens que excedem elas mesmas, num processo constante e auto-provocativo. Artista indicado ao prêmio PIPA 2014. Formado Bacharel em 2009 em Artes Visuais pela Universidade Tuiuti do Paraná. Willian Santos é artista vinculado à galeria Casa da Imagem.
 

A performance (evento) fica por conta de Leo Fressato, Keila Kern e Margit Leisner.