POEMÓPTICOS, de Alex Hamburger por ele mesmo.

 

                                          

                                                        “Poemópticos”

 

Dos meios de expressão, a Poesia tem sido na atualidade a menos exigida em termos de experimentação, uma vez que os trabalhos chamados ‘novos’ raramente vão além das convenções estabelecidas no século dezenove.

A literatura que passa diante de nossos olhos é invariavelmente tão familiar em linguagem e estrutura, tão próxima dos best-sellers de uma burguesia acomodada, que claramente pode-se fazer uma constatação: quase nenhuma forma literária hoje parece ter necessidade real de uma discussão estética, impedindo o seu frescor e a sua renovação.

O objetivo principal dessa comunicação é o de atentarmos para estes fatos, no sentido de uma eventual ampliação do nosso senso inventivo, tendo sempre em mente sua distância do que temos visto e lido, ou pelo menos procurar jogar uma luz sobre questões cruciais de há muito soterradas. Como as diversas alternativas estilísticas presentes podem sugerir, existe um leque bastante amplo de variações para a experimentação, e o texto linear não é necessariamente um pré-requisito.

Nesse sentido - o da diversidade e troca dentro de um quadro amplo, que agora passamos eventualmente a reconhecer, a poesia multimodal distingue-se da poesia versográfica pura e simples, aquela que enfatiza o estático, o ato geralmente formalizado. Enquanto a primeira tende na direção da totalidade, expandindo o que de mais rico foi realizado no campo, atualizando-o e rediscutindo-o, a poesia de versos dá sinais de esgotamento; enquanto a polipoesia tende para o amplo e abrangente a poesia retórica é estanque; enquanto uma se move a outra apenas se repete.

Se o que é novo em arte contemporânea costuma lidar quase sempre de maneira inventiva com os diversos recursos disponíveis em cada mídia, o mesmo deveria ocorrer no caso da Poesia, isto é, a experimentação com os potenciais da linguagem, o alcance da página impressa e retangular e até mesmo o processo rítmico de virar a página; e a liberdade, em qualquer modalidade artística, significa a oportunidade intransigente em utilizar-se dessas possibilidades sem restrição – sem deferência para ser mais preciso.

Muito da nova poesia evita a linha e o tipo horizontal – a convenção da literatura desde Gutemberg – para enveredar por outras formas de explorar e habitar a arena disponível de uma página ou espaço físico dado, uma vez que continuidade ao invés de categorização é a principal marca de uma nova mentalidade.

Uma vez que o arcaico e desnecessário critério restritivo for abandonado, tornar-se-á claro, de imediato, que muitas alternativas são possíveis, o que significa que os componentes da experimentação ainda podem ser estendidos a inumeráveis formas até o momento não muito detectadas.

 

Alex Hamburger

Outubro, 2015

 

 

Hommage a Gil J Wolman, Alex Hamburger 2014

 

 

 

A 3a. edição Feira da Baronesa acontecerá nos dias 21 e 22 de novembro de 2015, no Centro Cultural SESI Casa Heitor Stockler de França, em Curitiba (PR) e integrará a programação do Festival SESI Casa Heitor. A Farol Arte e Ação estará lá apresentando Poemópticos de Alex Hamburger, os livros da Gráfica Editora Kadê, projeto dos artistas Jarbas Lopes e Katerina DimitrovaQuer mais? Tem! ;)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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